PERSONALIDADE MARCANTES

AMÉRICO DA SILVA E OLIVEIRA. DR.
(25-03-1838; 08-12-1904).

Competente médico das quatro últimas décadas do século XIX.  Baiano, de Salvador, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 26-11-1860.  Foi o avô dos grandes matemáticos e engenheiros itajubenses Drs. Antônio Rodrigues de Oliveira e José Benedito de Oliveira (Celico).  A vinda do Dr. Américo para Itajubá prende-se a uma conveniência política.  Vivia-se na época da violência, do bangue-bangue, das tocaias agressivas e até de tiroteios dentro de igrejas (que era onde se realizavam as eleições, as quais, então, não eram secretas) e de desforços corpo a corpo praticados entre os adeptos do Partido Conservador, apelidados de cascudos e os do Partido Liberal, alcunhados por ximangos, que eram as duas hostes políticas durante todo o Império. 
Em Itajubá, nas décadas de 1860 a 1880, só havia um médico, o Dr. Domiciano da Costa Moreira, pai do chefe dos ximangos, Dr. Aureliano Moreira Magalhães.  E esse único clínico de então pouco permanência em Itajubá, pois ia atender os seus clientes do Vale do Paraíba.  Assim ocorrendo, os doentes e feridos filiados ao Partido Conservador eram obrigados a inevitavelmente valer-se dos préstimos dos Fredericos Schumann, pai e filho, ambos experientes farmacêuticos e ferrenhos ximangos, que não negavam assistência aos adversários, levados que eram pelo dever de caridade e, sobretudo, porque o Partido Liberal se vangloriava com tais atendimentos.
O Coronel Rennó, chefe dos cascudos, indignado, não se conformava com essa situação.  Foi à Corte, isto é, ao Rio de Janeiro, e trouxe de lá o clínico recém formado Dr. Américo de Oliveira, contratado para atender exclusivamente os cascudos.  Saudoso de um apimentadíssimo vatapá, e dos acarajés fritos no azeite-de-dendê, e de outros petiscos mais que a cozinha carioca não tinha, e já de mala pronta. à espera do navio para voltar para a sua Bahia, quando foi apresentado ao Coronel Antônio José Rennó.  Acabou aceitando as vantagens e comodidades oferecidas pelo chefe do Partido Conservador de Itajubá, e aqui chegou o Dr. Américo de Oliveira em 1861, e aqui passou a residir até o fim de seus dias, já no século XX.  Enamorou-se de D. Virgínia Emília Rennó (1836; 21-02-1921), que com ele está retratada, irmã do Coronel Rennó, ou seja, filha do Dr. João Rennó (Johann Rennow), o genearca da família Rennó, e com ela se casou.  E em nossa cidade prestou o Dr. Américo inúmeros serviços, assumindo várias funções: Promotor Público interino, Juiz de Paz, Delegado de Polícia, Juiz Municipal e de órfãos, Vereador em vários períodos legislativos, Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal (Prefeito, hoje se diz) por três vezes, em 1870, 1881 e 1886, e professor da Escola Normal Municipal de Itajubá, fundada pelo Cel. Francisco Braz, em 1894, de curta duração.  Caridoso e humanitário, foi um dos fundadores da Congregação de São Vicente de Paulo, em 1897.  Hábil parteiro e excelente cirurgião, atendia gratuitamente os pobres, e foi deputado provincial (hoje se diz estadual), eleito em 1869.  Em 1905, ano seguinte ao de sua morte, a Câmara Municipal deu-lhe, com muita justiça, o seu nome a uma de nossas principais ruas centrais, antiga Rua Tenente Viotti.  Foi pouco.  Seus méritos exigem da posteridade a da gratidão o seu busto em monumento de praça pública
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