Em Itajubá, nas décadas de 1860 a 1880, só havia um médico, o Dr. Domiciano da Costa Moreira, pai do chefe dos ximangos, Dr. Aureliano Moreira Magalhães. E esse único clínico de então pouco permanência em Itajubá, pois ia atender os seus clientes do Vale do Paraíba. Assim ocorrendo, os doentes e feridos filiados ao Partido Conservador eram obrigados a inevitavelmente valer-se dos préstimos dos Fredericos Schumann, pai e filho, ambos experientes farmacêuticos e ferrenhos ximangos, que não negavam assistência aos adversários, levados que eram pelo dever de caridade e, sobretudo, porque o Partido Liberal se vangloriava com tais atendimentos.
O Coronel Rennó, chefe dos cascudos, indignado, não se conformava com essa situação. Foi à Corte, isto é, ao Rio de Janeiro, e trouxe de lá o clínico recém formado Dr. Américo de Oliveira, contratado para atender exclusivamente os cascudos. Saudoso de um apimentadíssimo vatapá, e dos acarajés fritos no azeite-de-dendê, e de outros petiscos mais que a cozinha carioca não tinha, e já de mala pronta. à espera do navio para voltar para a sua Bahia, quando foi apresentado ao Coronel Antônio José Rennó. Acabou aceitando as vantagens e comodidades oferecidas pelo chefe do Partido Conservador de Itajubá, e aqui chegou o Dr. Américo de Oliveira em 1861, e aqui passou a residir até o fim de seus dias, já no século XX. Enamorou-se de D. Virgínia Emília Rennó (1836; 21-02-1921), que com ele está retratada, irmã do Coronel Rennó, ou seja, filha do Dr. João Rennó (Johann Rennow), o genearca da família Rennó, e com ela se casou. E em nossa cidade prestou o Dr. Américo inúmeros serviços, assumindo várias funções: Promotor Público interino, Juiz de Paz, Delegado de Polícia, Juiz Municipal e de órfãos, Vereador em vários períodos legislativos, Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal (Prefeito, hoje se diz) por três vezes, em 1870, 1881 e 1886, e professor da Escola Normal Municipal de Itajubá, fundada pelo Cel. Francisco Braz, em 1894, de curta duração. Caridoso e humanitário, foi um dos fundadores da Congregação de São Vicente de Paulo, em 1897. Hábil parteiro e excelente cirurgião, atendia gratuitamente os pobres, e foi deputado provincial (hoje se diz estadual), eleito em 1869. Em 1905, ano seguinte ao de sua morte, a Câmara Municipal deu-lhe, com muita justiça, o seu nome a uma de nossas principais ruas centrais, antiga Rua Tenente Viotti. Foi pouco. Seus méritos exigem da posteridade a da gratidão o seu busto em monumento de praça pública. |