PERSONALIDADE MARCANTES

VIVALDI RIBEIRO DE ALMEIDA (Vadinho)
(13-12-1928; 13-06-2002)


  

  Itajubá, neste meado de 2002, perdeu um de seus mais sinceros, leais e lídimos amigos, o qual toda a cidade conhecia pelo carinhoso e afetivo apelido de VADINHO, hipocorístico genial concebido por seus familiares e íntimos.  Com o Vadinho, acontecia um fato fenomenal, decorrente de sua natural nobreza de sentimentos e afabilidade.  Ele possuía o condão de cativar ricos e pobres, humildes e altas autoridades, operários e estudantes, assalariados e magnatas.  Soube passar pela vida como um mágico da cordialidade.  Foi herói, e toda a sua vitória de comerciante, alcançou êxito invulgar devido antes à dileção irrestrita, que ele soube cultivar com bondade e honradez, do que com a excelência dos serviços e as qualidades de suas atividades comerciais, que foram esplêndidas e modelares, ora continuadas pelos filhos, que seguem a orientação deixada pelo saudoso pai.
   Segundo Michel de Sousa ("O Sul de Minas" de 14-08-1999) e outros cronistas, Vivaldi Ribeiro de Almeida (o estimado Vadinho) nasceu em Conceição das Pedras, cidade próxima a Pedralva.  Era filho de José Ribeiro de Almeida e de D. Ana Cândida da Silva.  Morou em Poços de Caldas, de onde, com 11 anos de idade, veio para Itajubá em companhia de um tio-avô.  Freqüentou a Escola de Horticultura e o Colégio agrícola "Wenceslau Braz".  Aos 18 anos ingressou no 4° Batalhão de Engenharia de Combate, onde esteve durante 6 anos, chegando a Sargento, indo especializar-se no Rio de Janeiro.  Voltou para Minas Gerais com a ESA (Escola de Sargentos das Armas), para Três Corações.  Depois de alguns anos como militar, deixou o Exército para dedicar-se ao comércio de carnes.  Foi proprietário de vários açougues em Itajubá, inclusive três no Mercado Municipal.  Montou açougues em outros pontos da cidade, entre os quais um em frente ao antigo Restaurante Pingüim.  Em 1972 deixou o ramo comercial de açougues e comprou o fundo de uma sorveteria, na Praça Theodomiro Santiago.  Conseguindo, depois de algumas dificuldades, o maior espaço de que necessitava, fundou o Café do Vadinho, para todos as classes sociais, estabelecimento que se celebrizou, marcando época na História de Itajubá, tal como o Café Nice, do Rio de Janeiro.  Entre os freqüentadores do Café do Vadinho sempre estiveram acadêmicos de Engenharia, de todas as partes do mundo, que levaram para a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a Bolívia e outros países da América do Sul, bem como para a Europa e Ásia a fama do saboroso café ali servido e o excelente atendimento que ali encontravam os fregueses.  Nada menos de 35 funcionários mantinha o Vadinho em seu finíssimo Café, em revezamentos que ia das primeiras horas da manhã às últimas da noite.  Diz o jornal "O Centenário" de Pedralva, de julho de 2002; "Seu proprietário e auxiliares acolhiam a todos com extrema simpatia.  E até o café era mais saboroso.  Parece que ele (O Vadinho) sabia o gosto e a preferência de cada um de seus fregueses.  Ao chegarmos ao balcão, ele já se antecipava ao nosso pedido e nos servia aquilo que queríamos.  Tinha um dom especial." O Café do Vadinho foi elogiado por Presidentes da República, que lá foram regalar-se nas suas andanças esporádicas por Itajubá: João Figueiredo, Ernesto Geisel, Itamar Franco, Aureliano Chaves...
    Vivaldi Ribeiro de Almeida (Vadinho) casou-se com D. Alice Machado de Almeida, de cujo enlace houve cinco filhos: João Ricardo Machado de Almeida, Vivaldi Ribeiro de Almeida Filho, José Renato Machado de Almeida, D. Valdelice Machado de Almeida Lemos e D. Anelice Machado de Almeida Marra.  E Vivaldi deixou oito netos.

A Câmara Municipal, por proposta do Vereador Cléber David, registrou a Moção de Pesar pelo passamento do Vivaldi Ribeiro de Almeida.  E esta geração de itajubenses nunca se esquecerá desse amigo digno e bondoso que sempre ele foi.
 
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