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VESTÍGIOS DO PASSADO
VESTÍGIOS DO NOSSO PASSADO
Na corrida à exploração de pedras preciosas em Minas Gerais foram descobertas as minas de Nossa Senhora da Soledade do Itagybá, local onde se construiu a cidade de Delfim Moreira, na qual teve início a história da atual cidade de Itajubá. Um apetite de ouro e pedrarias que levaria à formação de povoados na região sul de nosso Estado.
Um apetite de ouro e pedrarias que levaria à formação de povoados na região sul de nosso Estado. Entre bravos e arrojados povoadores estava Miguel Garcia Velho, fundador da primitiva Itajubá, hoje cidade e município de Delfim Moreira.
Nas imediações de Passa-Quatro, Miguel seguiu pelos vales de Bocaina, afastando-se, pois da rota já trilhada por outros exploradores, a qual ia dar no Rio Verde e Baependi. Transpôs a Serra dos Marins e o planalto do Capivari, no qual andou descobrindo algumas pintas de ouro. No Córrego Alegre e nas águas do Tabuão encontrou maiores indícios do cobiçado metal. Pretendia alcançar a Serra de Cubatão, mas a mina do Itagybá foi a que mais o seduziu, e onde permaneceu por mais tempo, dando início ao povoado. Era 1703.
O garimpo nas minas de Itagybá foi efêmero. As catas e as gupiaras não compensavam o trabalho e não correspondiam à sede de riquezas de Miguel Garcia Velho e seus companheiros.
Os bandeirantes se retiraram, e quem ficou no povoado tratou de se arranjar com a agricultura e a pecuária. Povo laborioso, mas de minguados recursos, o arraial em desfavorável localização, e a Soledade do Itagybá não prosperou.
E a história da nova cidade de Itajubá começou na Soledade do Itagybá do Sargento-mor Miguel Garcia Velho.
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PADRE LOURENÇO DA COSTA MOREIRA: O NOVO VIGÁRIO
A Freguesia de Nossa Senhora da Soledade de Itajubá (atual cidade e município de Delfim Moreira), já no meado do século XVIII, se encontrava sobremaneira abalada em seus recursos econômicos e sua vida social com a paralisação das ativi-dades auríferas. Os aventureiros que, depois de Garcia Velho, lá estiveram, logo abando-naram aquelas minas. Os poucos habitantes do povoado, desde então, nem mais pensavam em ouro, que já não dava pão e comida a ninguém, de tão raro que ficou.
Com a morte pároco, Padre Joaquim José Ferreira, ocorrida em princípios de 1817, Soledade de Itajubá só sedaria mais de um ano depois com o novo vigário, Padre Lourenço da Costa Moreira, através da nomeação real de D. João VI.
O vigário vinha acompa-nhado de seus escravos, da senhora D. Inês de Castro Silva, do Domini-cano, menino de 5 anos, e de Delminda, pequerrucha de apenas 2 anos, os quais estavam sob os cuidados de zelosas mucamas de sua comitiva.
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ITAGYBÁ
O nome Itagybá, que na língua indígena significa, “Rio das pedras que do alto cai”, cascata, foi dado em alusão à cachoeira junto às minas de Miguel Garcia Velho, sugerido por seus companheiros de expedição.
Como nunca faltava uma evocação religiosa católica nos antigos povoados, logo denominavam o lugarejo de Nossa Senhora da Soledade de Itajubá, ou, segundo se dizia então, do Itagybá.
A cascata histórica que emprestou o nome a Itajubá está na área urbana da cidade de Delfim Moreira, a primitiva Itagybá, a cerca de meio quilômetro do centro e de sua igreja Matriz.
Por lamentável confusão com a palavra itajuba (com a tônica no jú), muita gente acredita que Itajubá significa pedra amarela. E a fantasia popular chegou a imaginar a existência de uma pedra amarela no município.
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FUNDAÇÃO DA NOVA ITAJUBÁ
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Fundada no dia 19 de março de 1819, emancipada do Município de Campanha, como Vila e elevada à categoria de cidade no dia 27 de setembro de 1848, a abrangência dos seguintes territórios: a “ freguesia de mesmo nome” (que abrangia o atual município e Piranguçú), Cristina (Espírito Santo do Cumquibus), Pedralva (São Sebastião da Capituba), Brasópolis (São Caetano da Vargem Grande) e Delfim Moreira (Soledade de Itajubá). Pouco tempo depois esses territórios foram se desmembrando de Itajubá.
No dia 04 de outubro de 1862, Itajubá, diferente-mente do que aconteceu com outras cidades da região, não nasceu da ação de bandeirantes e nem de sesmeiros em suas terras, mas, sim da visão do Padre Lourenço da Costa Moreira.
Passada a 'febre do ouro', Soledade de Itajubá - hoje Delfim Moreira - começou a decair e muitas famílias começaram a abandonar a cidade. O vigário local, padre Lourenço da Costa Moreira, sabendo que o clima era impróprio para o desenvolvimento da lavoura, conclamou os moradores para buscarem novas paragens, que fossem mais propícias para o desenvolvimento.
Na noite de 17 de março de 1819, o Vigário reuniu, na Matriz, os fiéis que o seguiriam. Na manhã do dia 18, após a missa, a caravana composta por 80 famílias rumou para as margens do Rio Sapucaí e iniciaram a histórica descida. Eram os pioneiros da nova Matriz, que partiam com a missão de fundar a 'nova' Itajubá.
Aos primeiros lampejos da alvorada do dia seguinte, a caravana contornou um outeiro. O padre Lourenço determinou o desembarque, examinou o local e do alto do Ibitira ( segundo denominação dos Puri-Coroados, primeiros moradores do lugar), deslumbraram a região, que o padre achou excelente para fundação do novo povoado e a sede da freguesia.
Os homens roçaram uma clareira ao alto, nela armaram um altar, um cruzeiro e o padre Lourenço celebrou a primeira missa na aprazível paragem. Era o dia 19 de março de 1819, dia consagrado a São José e estava fundado o arraial, hoje Itajubá. O local da primeira missa é exatamente onde está a Igreja matriz Nossa Senhora da Soledade, Padroeira da cidade.
Constatando que naquela região, chamada de Boa Vista do Sapucaí, existiam algumas fazendas nas imediações, bem distantes uma das outras, embora não se tenha com exatidão a existência de um arraial ou início de um povoado, o padre Lourenço foi ao encontro dos fazendeiros já existentes na região, expondo-lhes o seu desejo de transferir a sede da Freguesia para aquele local e construir uma capela, encontrando total apoio dos fazendeiros, que acolheram aos homens da expedição, dando-lhes abrigo provisório, além de fornecer material e escravos.
De imediato, foi dado início ao povoado, com a construção das primeiras casas de pau-a-pique nas imediações do outeiro, abertura de uma praça e algumas ruas, em terras doadas por Francisco Alves, o primeiro benfeitor do povoado. A navegação pelo Rio Sapucaí começou logo, o que proporcionou o desenvolvimento do povoado. Era por meio de barcas que chegavam as mercadorias procedentes do Oeste.
Os moradores de Soledade de Itajubá, que não seguiram Padre Lourenço, logo que tomaram conhecimento da prosperidade do novo povoado, ficaram revoltados, protestaram contra essa atitude e exigiam a sua volta. Entretanto, o Padre Lourenço, não só não voltou, como conseguiu junto às autoridades eclesiásticas e governamentais a elevação do Arraial à categoria de Curato e, logo em seguida, de Freguesia e conseguiu, ainda, das autoridades de Ouro Preto, então capital da Província, que o nome de Itajubá se transferisse para o novo povoado.
Em 1832, o sacerdote organizou uma procissão até Soledade de Itajubá (hoje, Delfim Moreira), com o propósito de trazer de lá as alfaias, os paramentos e a imagem de Nossa Senhora da Soledade.
Como o fato chegou ao conhecimentos dos moradores que ficaram na antiga sede, homens armados esperaram a procissão no meio do caminho, impedindo que a caravana obtivesse êxito em seus objetivos. O local de refrega ficou, até hoje, conhecido com o nome de "Encontro".
Não dado por vencido, o Padre Lourenço mandou esculpir uma imagem igual a da Matriz Velha, substituindo, assim, a imagem de São José pela de Nossa Senhora da Soledade, escultura que até hoje se conserva naquela Matriz.
As famílias construtoras de Itajubá, as primeiras chegadas com o fundador e outras vieram de Capivari, Pouso Alto, Aiuruoca, Guaratinguetá, São Bento do Sapucaí e de outras terras mineiras ou paulistas e, ainda, os imigrantes, principalmente os portugueses e italianos, completaram a obra iniciada pelo Padre Lourenço.
Naqueles anos Itajubá atinge um desenvolvi-mento de grandes proporções, considerados os aspectos da época. Em 1848, o Arraial da Boa Vista do Sapucaí, com apenas 29 anos de existência, apresentava um progresso urbanístico e vida social que surpreendiam os próprios moradores do local e se tornara Freguesia da Boa Vista do Sapucaí ou Boa Vista do Itajubá, até então pertencente ao município de Campanha.
No dia 27 de setembro deste ano, o jovem e dinâmico Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, apresenta projeto de emancipação política da Freguesia, o que se dá através da Lei nº 355, com a qual o Presidente da Província concedeu a elevação, ficando Itajubá desmembrada de Campanha. Elevada à condição de Vila, 14 anos mais tarde, com a Lei nº 1.149, de 04 de outubro de 1862, passava à categoria de Cidade.
A libertação dos escravos, em Itajubá, foi antecipada em dois meses, acontecimento que teve repercussão nacional, chegando a merecer do abolicionista José do Patrocínio a denominação de "Cidade Luz".
Nos anos 20 e 30, a cidade já abrigava indústrias de razoável porte e de capital local, havia o Banco de Itajubá, a Cia. Sulmineira de Eletricidade. Itajubá foi considerada a "Manchester Sulmineira". |
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RIO SAPUCAÍ
O Sapucaí é o grande rio de Itajubá. Divide a cidade bem ao meio. É relevante sua importância no progresso e na vida da cidade, sobretudo no passado, com o favorecimento da navegação. É o fertilizador do grande vale pelo qual serpeia, recolhendo as águas de vários tributários menores, tão ligados às tradições itajubenses, entre os quais o piscoso Lourenço Velho e o Ribeirão José Pereira, que iluminou a cidade no início do século, e que também atravessa a cidade.
O primeiro civilizado que divisou o Sapucaí, afirma-se ter sido João Pereira Botafogo, em 1596. Não se tem notícia segura de outro sertanista que o tenha precedido nessa arrojada empresa.
Sapucaí quer dizer rio das sapucaias, isto é, rio que canta, rio que grita. O nome foi dado pelos índios em alusão às lecitidáceas que, quando fustigadas pelos ventos, freqüentes no vale, produziam silvos semelhantes a gemidos. Daí chamarem eles sapucaia, isto é, árvore que chora, árvore que geme, a essas lecitidáceas, então existentes com abundância em quase todo o vale, sobretudo nas margens e barrancas do rio, onde eram mais aglomeradas.
O Sapucaí entra na cidade pelo bairro urbano Santa Rosa, e sai pelo de Boa Vista, dividindo-a em duas partes iguais. Dentro do município, o mais importante de seus afluentes, da margem direita, é o Ribeirão José Pereira, que tem origem na Serra da Água Limpa e que vai despejar-se no Sapucaí já dentro da cidade. Da margem esquerda, os mais notáveis desses afluentes são o Córrego da Estância, o Ribeirão das Anhumas (estes dois nascem na Serra do Pouso Frio), o Ribeirão Piranguçu e o Ribeirão dos Antunes, este já nas divisas com Piranguinho.
O Rio Sapucaí percorre, desde sua nascente até a barra com o Lourenço Velho, na saída do município, uma extensão de 48 km, num vale formado, lado a lado, de altíssimas e imensas vertentes da Mantiqueira.
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