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Escrito por: Roberto Silva
Música do Céu

O relógio de cabeceira grita alto acordo são 7 da manhã. Olho ao lado meu marido já saiu. Num esforço me ponho de pé. Estou acordando para mais um dia miserável. Me chamo Olga, moro aqui no Rio de Janeiro zona sul. Na cobertura de um condomínio fechado. Levo uma vida tranqüila financeiramente, meu marido é artista mais precisamente Comediante. Mas a minha historia de vida não é nada destas coisas. Sofro de depressão a mais de 20 anos fiz 60 anos estes dias. A minha agonia começa logo de manhã. Mais um dia sem sentido que tenho encarar que me toma toda força e me irrita.  Para ser franca viver para mim é um peso. Esta tristeza e irritação colada em mim não larga. Não há nada que me satisfaça em dê alivio. Já fui a vários psicólogos já tomei montanhas de comprimido, mas, este vazio aqui dentro cada dia aumenta mais. O meu marido me suporta não sei como, ele diz que a minha TPM dura o mês inteiro. Eu mesma me acho insuportável. Ninguém merece conviver com gente como eu. Acho uma ironia um homem como ele que vive fazendo todo mundo rir conviver com uma megera como eu para falar a verdade hoje algo me avisa que o meu mau humor vai virar o dia.
São 8 da manhã muito ensolarada atravesso marginal para ir às compras hoje estou novamente com aquele pensamento que vem com freqüência quando me sinto péssima. Vou dar cabo nesta vida, quantas vezes têm pensado nisto, mas nunca tenho coragem. Hoje desde manhã esta voz interior fala muito forte. Eu acho que este traste que sou não faria falta para ninguém alem do mais tem muita mulher saudável e bonita que poderia estar no meu lugar. O meu marido é muito bom para mim, mas ele não merece acordar toda manhã com uma bruxa como eu que não tem animo nem para fazer um café. Olho em volta vejo as pessoas alegres, olho aquele garoto brincando fico até com inveja, pois sobre mim paira esta nuvem preta que não sai nunca. Já busquei tudo que pudesse me aliviar viagens, massagens, já tentaram  mudar o visual fiz plásticas para a alta estima e todo recurso moderno já tentei, mas no dia seguinte ali esta a Dona depressão. Já tomei passe na umbanda, quimbanda, cartomante e tudo mais. Mas a maldita insatisfação continua aqui me corroendo por dentro. Estou no fundo do poço.
Nove da manhã. Uma voz interior fala forte dentro de mim... Dê um basta nisto... Chego das compras minha mente trabalha alucinada. A casa está vazia e fechada, é domingo os empregados estão de folga. O meu marido está fora. A vida para mim já não tem sentido detesto admitir mais não quero MAIS VIVER. Meu marido guarda um revolver dentro do guarda roupa. Hoje é pra valer basta colocá-lo na altura da cabeça e apertar o gatilho. A casa está fechada como sempre, não gosto de ver gente. Sofro quieta não dou satisfação para ninguém afinal ninguém paga minha conta.
9:15:  Entro  no quarto fecho  a porta o meu coração bate muito forte. De repente um pensamento passa pela minha mente. Penso em Deus. Mas porque, Ele nunca fez nada por mim? Faz 20 anos que deixei de pensar nele. Agora é tarde estou com o revolver nas mãos. Chegou à hora, meu dedo está no gatilho e o revolver se encontra encostado em minha têmpora. Meu dedo está paralisado não tenho forças para apertar o gatilho.
Vou fazer uma ultima tentativa vou dar 1 minuto para Deus falar comigo. O ponteiro do relógio corre 5 segundos, 10 segundos, 15 segundos, 20, 25,30. De repente o telefone da cabeceira toca. Fico irritada isto é hora de tocar telefone? Vou atender deve ser meu marido. Um jovem do outro lado da linha diz. Com quem estou falando? Respondo: É a Olga.  A pessoa responde: D. Olga não pense que sou louco, mas eu estava aqui no calçadão de Copacabana e estava orando. Então Deus me mandou pegar agora o meu celular e ligar para um número aleatório eu liguei e caiu no número da senhora. Eu não a conheço nem sei onde está, mas Deus manda lhe dizer. NÃO FAÇA ISTO. Deus quer  entrar em sua vida agora. Deixei o telefone na cama. O meu coração da um salto neste momento dou um pulo  e o meu corpo da um rodopio 360 graus e começo a dançar, uma alegria invade o meu coração e começo ouvir uma MÚSICA DO CÉU. Agora danço como uma adolescente em baile de debutante. E o meu parceiro é um misto de imaginário e real a minha fé me diz que Ele é Jesus Cristo. Saio pulando do quarto chego na costumeira escura sala  abro a cortina e escancaro a janela, no prédio da frente a vizinha me olha assustada, eu meio que cantando meio que falando digo-lhe BOM DIA VIZINHA O DIA ESTÁ LINDO. DEUS É MUITO BOM NÃO  É MESMO!!!  Ela faz cara feia e fecha a janela. Mas eu não importo. Neste momento uma rajada de vento entra sorrateiramente naquela sala e me enche de vigor e minha vida de Luz. Estou tão feliz que sinto como se estivesse nascendo para uma nova vida.
Querido esta história não é uma ficção talvez não tenha acontecido do mesmo jeito que narrei, mas ela foi contada pela esposa do comediante Costinha já falecido testemunho este que nunca mais esqueci.



 
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